Destaque do site Aleteia: Como diferenciar uma possessão diabólica de uma doença mental?

Por Padre Miguel A. Fuentes, IVE – Instituto do Verbo Encarnado
Conheça os sinais de uma verdadeira possessão diabólica, segundo o ensinamento da Igreja. Nesse artigo buscarei responder da maneira mais exata possível.

1. Os elementos constitutivos da possessão diabólica

Há dois elementos que constituem a possessão:
– A presença do demônio no corpo do possesso.
– O império que ele exerce sobre o corpo e, por meio deste, na alma.

    O demônio não está unido ao corpo, como a alma; e com relação à alma, ele não é senão um motor externo e, se age nela, é por meio do corpo no qual habita. Pode agir diretamente nos membros do corpo e fazê-lo executar todo tipo de movimentos; indiretamente, age nas potências, enquanto estas dependem do corpo para suas ações.

    Podemos distinguir dois estados diferentes no possesso: o da crise e o da calma. A crise é a maneira de acesso violento, no qual o demônio manifesta seu império tirânico produzindo no corpo uma agitação febril que se manifesta em contorções, gritos de raiva, palavras ímpias e blasfêmias.

    Os possessos perdem, então, todo conhecimento do que acontece com eles, do que disseram ou fizeram, ou melhor, de tudo o que o demônio fez por meio deles. Só sentem a presença do demônio no início, mas depois perdem a consciência. No entanto, esta regra tem exceções.

    Nos intervalos de sossego, não há maneira de descobrir a presença do espírito maligno, a impressão é de que ele foi embora. No entanto, sua presença se manifesta mediante uma espécie de doença crônica que desconcerta todos os remédios da ciência moderna.

    É frequente que haja muitos demônios possuindo uma só pessoa. E, em geral, a possessão acontece em pecadores, mas há exceções.

2. Os sinais da possessão
    Como há doenças mentais cujos sintomas se assemelham aos da possessão, é preciso diferenciar as duas coisas.
    Segundo o Ritual Romano, existem três sinais para conhecer a possessão diabólica:

– Falar idiomas não conhecidos. Para comprovar bem isso, é necessário estudar a pessoa profundamente para ver se, no passado, teve oportunidade de aprender algumas palavras de tais idiomas, se fala algumas frases soltas aprendidas de memória, ou se fala e entende uma língua que na verdade não conhecia.

– Revelação de coisas ocultas, sem meio natural que explique isso. Também neste caso é preciso investigar bem para garantir que a pessoa não tem como saber tais coisas por nenhum meio natural.

– Uso de forças notavelmente superiores às naturais do sujeito, levando em consideração sua idade, condição física, doenças etc.

3. Remédios para a possessão
    Os remédios, neste caso, são os capazes de enfraquecer a ação do demônio no homem, purificar a alma e fortalecer a vontade contra as investidas do diabo. O principal remédio é o exorcismo.

Remédios gerais
    Um dos mais eficazes é a purificação da alma por meio de uma boa confissão, sobretudo a confissão geral. O Ritual aconselha acrescentar a isso o jejum, a oração e a comunhão (mas esta só pode ser recebida na fase de calma).

    Os sacramentais e objetos abençoados também têm muita eficácia, devido às orações que a Igreja recitou ao abençoá-los. Santa Teresa confiava especialmente na água benta, porque a Igreja lhe confere a capacidade de afugentar o demônio. Mas é preciso usá-la com espírito de fé, humildade e confiança.

    O crucifixo e o sinal da cruz também são poderosos, porque o demônio foi vencido pela cruz, e por isso foge dela.

Os exorcismos
    Finalmente sobre o exorcismo, cabe recordar o que o Catecismo ensina (n. 1673):

    “Quando a Igreja pede publicamente e com autoridade, em nome de Jesus Cristo, que uma pessoa ou objeto seja protegido contra a ação do Maligno e subtraído ao seu domínio, fala-se de exorcismo. Jesus praticou-o – e é d’Ele que a Igreja obtém o poder e encargo de exorcizar.

    Sob uma forma simples, faz-se o exorcismo na celebração do Baptismo. O exorcismo solene, chamado ‘grande exorcismo’, só pode ser feito por um presbítero e com licença do bispo. Deve proceder-se a ele com prudência, observando estritamente as regras estabelecidas pela Igreja.

    O exorcismo tem por fim expulsar os demônios ou libertar do poder diabólico, e isto em virtude da autoridade espiritual que Jesus confiou à sua Igreja. Muito diferente é o caso das doenças, sobretudo psíquicas, cujo tratamento depende da ciência médica. Por isso, antes de se proceder ao exorcismo, é importante ter a certeza de que se trata duma presença diabólica e não duma doença.”

Padre Miguel A. Fuentes, IVE
sacerdote do Instituto do Verbo Encarnado, ordenado em 1984. Licenciado em Teologia pela Pontifícia Universidade Angelicum, em Roma

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