Dia Internacional da Educação: o Brasil tem pouco a comemorar e muito a fazer

Leia o artigo de João Carlos José Martinelli:

Celebra-se a 28 de abril o Dia Mundial da Educação em referência ao encontro de representantes de 180 países participantes do Fórum Mundial de Educação, realizado em abril de 2000, na cidade de Dakar, no Senegal. Comemora-se a 28 de abril o DIA DA EDUCAÇÃO, instituído para que ocorram reflexões e debates sobre as questões negativas e as positivas que a cercam. Na ocasião, foi assinado um documento no qual estas nações se comprometiam a não poupar esforços para que a educação chegasse a todas as pessoas do planeta até 2015.

Infelizmente esse propósito não se concretizou e no Brasil está bem distante de alcançá-lo. E muitos motivos contribuíram para isso. O maior deles foi a falta de vontade política. Utilizando-se de opiniões populares, podemos dizer que “o maior inimigo de um governo é uma população culta”. Assim, o assunto não interessa a maioria dos representantes públicos, que prefere que as pessoas não pensem, já que para eles basta que saibam gritar gol. Contraria-se o objetivo central da educação que é o de desenvolver seres humanos com uma razão crítica, com uma visão de mundo ético e humanista, com criatividade, senso estético e equilíbrio afetivo e psíquico. Tanto que é um direito social, um pré-requisito para usufruir-se dos demais anseios civis, políticos e sociais.

Em vários países ainda não desenvolvidos, um dos aspectos que agravam a péssima situação da educação é o da justiça social desconhecer que todos os cidadãos, sem distinções, devem ter acesso à educação, reservando a cultura a uma classe privilegiada, fossilizando, assim, muitas forças humanas, mesmo porque, o seu fim é determinado pelo fim último do homem. E assim vão perdendo um tempo precioso para superar o desafio da revolução qualitativa da estrutura educacional.

Não podemos esquecer que o seu valor simbólico fecunda o processo civilizatório, dos valores às leis, da política à vida e que ela se enquadra na Segunda Geração dos Direitos Humanos, àqueles que traduzem o valor da igualdade e dizem respeito aos direitos sociais, culturais e econômicos.

Assim, uma educação adequada e crítica, visando sobretudo a elevar o ser humano, decorrerão inúmeros benefícios para toda humanidade, porque quando os indivíduos se sentem partes integrantes de um todo, colaboram grandemente para aprimorar o crescimento desse todo.

Ela não pode ser vista como responsabilidade apenas das escolas. Tudo na sociedade pode ser e é pedagógico, em sentido positivo ou negativo. Na família, no trabalho, nos meios de comunicação, na ação política, nos atos religiosos, em qualquer setor de atividade humana, estamos ensinando às novas gerações modelos e propostas de conteúdo técnico, político e moral. Isso é tanto mais verdade na sociedade moderna, em que a criança está em contato com o mundo pela informática, televisão, outros meios da mídia e pela interação intensa com os adultos.

É visível, portanto, a necessidade de empenho coletivo para que os reais objetivos educacionais sejam plenamente atingidos, e essa responsabilidade não se limita à autuação do educador, como profissional, mas envolve também uma sensível participação dos órgãos governamentais e dos demais setores sociais para prover e alocar recursos suficientes e adequados ao perfeito cumprimento desses propósitos.

 

João Carlos José Martinelli é advogado, jornalista, escritor e professor da Faculdade de Direito do Centro Universitário Padre Anchieta de Jundiaí. É presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com)

Fonte Blog Luso-brasileiro PAZ
https://solpaz.blogs.sapo.pt/

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