8º Fórum Social Mundial de Migrações

       Brasília, CNBB – O Papa Francisco enviou uma mensagem aos participantes do 8º Fórum Social Mundial das Migrações que teve início, na sexta-feira, 2 de novembro, no Centro Cultural Universitário Tlatelolco, na Cidade do México. O evento prosseguiu até este domingo, 4 de novembro, sobre o tema “Migrar, resistir, construir e transformar”.

Ação transformadora

       “A transformação positiva de nossas sociedades começa com a rejeição de todas as injustiças, que hoje buscam sua justificativa na cultura do descarte, uma enfermidade pandêmica do mundo atual. Essa oposição é vista como um primeiro ato de justiça, especialmente quando consegue dar voz ao sem vozes. Dentre eles estão os migrantes, os refugiados e os deslocados, que são ignorados, explorados, violados e abusados no silêncio culpado de muitos”, frisa Francisco no texto.

       Segundo o Papa, “a ação transformadora não se limita em denunciar as injustiças. É necessário identificar pautas de soluções concretas e viáveis, esclarecendo os papéis e responsabilidades de todos os envolvidos. No campo da migração (migrar), a transformação (transformar) se alimenta da resiliência (resistir) dos migrantes, refugiados e deslocados, e aproveita suas capacidades e aspirações para a construção (construir) de sociedades inclusivas, justas e solidárias, capazes de restituir a dignidade aos que vivem com grande incerteza e não podem sonhar um mundo melhor”.

Complexidade do fenômeno migratório

       O Pontífice destaca que “esse fórum visa abordar sete eixos temáticos diretamente relacionados à migração atual: direitos humanos, fronteiras, incidência política, capitalismo, gênero, mudanças climáticas e dinâmicas transnacionais. Trata-se de temas muito importantes que merecem uma reflexão atenta e compartilhada por todos os participantes, uma reflexão que busca a integração de diferentes perspectivas, reconhecendo a complexidade do fenômeno migratório”.

       “É justamente por causa dessa complexidade que há dois anos a comunidade internacional se comprometeu com o desenvolvimento de dois processos de consultas e negociações, que visam a adoção de dois pactos mundiais: um para a migração segura, ordenada e regular, e outro sobre os refugiados.”

Contribuição da Igreja

       O Papa frisa que como contribuição a esses processos, a Seção Migrantes e Refugiados, sob sua direção, “preparou um documento com 20 pontos de Ação para o Pacto Global, que prevê uma série de medidas eficazes e credenciadas que, no conjunto, constituem uma resposta coerente aos desafios de hoje. Os 20 pontos articulam-se em torno de quatro verbos: acolher, proteger, promover e integrar, que sintetizam a resposta aos desafios colocados à comunidade política, à sociedade civil e à Igreja pelo fenômeno migratório hoje”.

       Segundo Francisco, “muitos dos princípios declarados e as medidas sugeridas nos 20 Pontos de Ação coincidem com as declarações que as organizações da sociedade civil subscreveram com o desejo de contribuir ao processo iniciado pelas Nações Unidas na perspectiva dos Pactos Mundiais”.

Desenvolvimento de propostas políticas

        Os Pactos Globais, “além de suas limitações que a Santa Sé não deixou de mencionar, e sua natureza não obrigatória, constituem um quadro de referência para o desenvolvimento de propostas políticas e implementação de medidas concretas”.

        “Como para toda ação de alcance global, a implementação das recomendações e sugestões contidas nos Pactos Globais requer a coordenação dos esforços de todos os envolvidos, dentre os quais a Igreja. Para isso, espero contar com a colaboração de todos vocês e das organizações que vocês representam nesse fórum”, sublinha o Papa.

       “Essa colaboração é necessária para melhorar os acordos bilaterais e multilaterais no campo da migração, e que sejam sempre para o maior benefício de todos: migrantes, refugiados, deslocados, seus familiares, suas comunidades de origem e as sociedades que os acolhem. Isso só pode ser alcançado num diálogo transparente, sincero e construtivo entre todos os atores, respeitando os papéis e responsabilidades de cada um.”

Promoção humana integral

       Francisco aproveita a ocasião para “incentivar as organizações da sociedade civil e os movimentos populares a colaborar na difusão maciça dos pontos dos Pactos Globais que apontam para a promoção humana integral dos migrantes e refugiados, como também das comunidades que os acolhem, evidenciando as boas iniciativas propostas.”

       Convida os movimentos e organizações a se comprometerem na “partilha equitativa de responsabilidades na assistência aos requerentes de asilo e refugiados”, e que tenham uma ação decisiva “para identificar, com prontidão, as vítimas do tráfico, fazendo todos os esforços necessários para libertá-las e reabilitá-las”.

       Francisco conclui a mensagem, pedindo a intercessão de Nossa Senhora de Guadalupe para que sustente os participantes do fórum em suas atividades com os migrantes, refugiados e deslocados.

Fórum Social Mundial das Migrações

       O fórum nasceu em 2001. É uma iniciativa finalizada à pesquisa e construção de sociedade justas e atentas a um mundo mais solidário. Participaram da abertura dos trabalhos: o arcebispo de Cidade do México, cardeal Carlos Aguiar Retes, e dom Franco Coppola, núncio apostólico no México. Dentre as presenças, destacou-se também o subsecretário da Seção Migrantes e Refugiados do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, pe. Michael Czerny, jesuíta.

(Texto: Vatican News)

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