A mulher latino-americana ainda luta por igualdade


    Leia o artigo de Pablo Gentili, para blog Planeta Futuro, em El País – Na América Latina, vemos como persistem os altíssimos níveis de desigualdade de gênero, de violência e feminicídio, processos de discriminação e exclusão que mantém mulheres de todas as idades como vítimas de um sistema que não é feito para elas. A disparidade salarial é parte estrutural dos mercados de trabalho, que, como tudo em nossas sociedades, foram edificados sobre a base do patriarcado e do machismo institucional.

Berta Cáceres, líder indígena hondurenha assassinada em 3 de março de 2016

    Há quase 30 anos enfrentamos as políticas orientadas à igualdade, aplicadas por diferentes governos, e mesmo assim a participação e representação das mulheres no sistema político continua sendo baixíssima. Em alguns países, inclusive, tem diminuído de forma progressiva. Tampouco se vê melhoras significativa na representação das mulheres na direção das grandes empresas ou das principais universidades, menos ainda nos serviços diplomáticos de alguns países latino-americanos ou caribenhos.

    Neste dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, muito mais que festejar, os governos, movimentos e instituições da América Latina deveriam fazer um enorme esforço e refletir sobre as razões que nos tornaram a região mais desigual e mais violenta do planeta. Desigualdade e violência essas que atacam principalmente as mulheres, os jovens e as jovens, além das crianças. Desigualdade e violência essa que nos interpelam e nos obrigam a não ser indiferentes.

    Entretanto, e apesar do enorme déficit que o continente exibe em matéria de justiça social, a América Latina é uma das regiões do mundo onde as mulheres mais vem contribuindo com o desenvolvimento da investigação social. Como o mundo acadêmico também é machista e patriarcal, muitas vezes essa importantíssima contribuição passa desapercebida, é desprezada com sintomática indiferença ou reduzida ao reconhecimento do trabalho das cientistas sociais latino-americanas e caribenhas somente aos estudos de temas de gênero.

    Hoje, dia 8 de março, é um dia a mais para reforçar essa tarefa de fazer da América Latina uma região mais democrática, igualitária e justa. Amanhã e depois também serão.

Tradução: Victor Farinelli

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