Em 2012 siga o exemplo da melhor Evangelização

Por Humberto Pinho da Silva

Naquela alegre manhã coberta de sol, Francisco, assentou convidar Frei Junípero – “O palhaço do Senhor” ou “O brinquedo de Deus”, como Clara, dizia, – o mais ignorante irmão do seu conventinho, para companheiro de pregação.

Ficou assombrado o discípulo do santo da Porciúncula, pelo inusitado convite. Como poderia ele, inculto, quase analfabeto, desprovido do dom da palavra, pregar, juntamente com o eloquente e inteligentíssimo Francisco?
E voltando-se para o santo, humildemente replicou:
– Como, irmão, se mal sei falar corretamente, posso pregar ao povo?
O estigmatizado, mansamente pousou a mão no ombro direito do discípulo e respondeu:
– Vem! Não receies! Confia! Eu estou contigo!…

Como bom frade e obediente que era, seguiu de cabeça inclinada, mãos enfiadas nas largas mangas do hábito, e olhos cravados no caminho.

Rezaram, conversaram e deambularam por Assis: ampararam pobres desanimados; consolaram enfermos em desespero; riram-se e distraíram-se com as crianças; auxiliaram idosos indefesos; confortaram inválidos, e regressaram serenamente ao convento, louvando o Senhor.

Ao subirem para a Porciúncula, Frei Junípero, declarou a Francisco:
– Esqueceste de pregar! Não falaste de Deus, nem ensinaste doutrina! …

Ao que advertiu o santo, sorrindo:
– Quando ajudamos, consolamos, rimo-nos com as crianças, auxiliamos idosos, confortamos inválidos, estivemos a pregar; e que ótima pregação fizemos!

Nós, que fomos batizados e cremos em Jesus, devemos não só ensinar, mas principalmente testemunhar com o exemplo.

O bom educador sabe, que a melhor forma de educar é o exemplo. Pode-se ensinar as regras de etiqueta a uma criança, mas se não dermos o exemplo, aplicando no momento e lugar certo o que inculcamos, foi inútil, e nada valeu decorar o livrinho de civilidade.

Evangelizar foi o que Francisco fez naquela amena manhã de sol. Não se pense que é só no muito rezar que se agrada a Deus. A beata Maria, filha do Conde Clemente Droste zu Vischering, Morgado dos Drostes, dizia que a melhor oração é andar sempre com o pensamento Nele.

É o que fazia Madre Teresa, cuidando dos infelizes, que agonizavam pelas ruas. Isso é que é ser cristão, evangelizar, seguir Cristo, ser discípulo de Jesus.

O resto são palavras… palavras e mais palavras, quantas vezes proferidas por vaidade, que podem obter encómios, mas raramente convencem e poucas vezes agradam a Deus, se me é permitido pensar o que Ele quer.

Humberto Pinho da Silva, jornalista em Portugal
humbertopinhosilva@sapo.pt

Fonte: http://solpaz.blogs.sapo.pt/

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