Cidadãos do Céu, texto anônimo extraído da carta a Diogneto escrita no ano 120 dC

“Os cristãos não têm nada de diferente, comparados com outros homens, nem as comunidades nas quais eles moram, nem a língua que falam, nem as roupas que vestem. Eles não vivem em locais à parte nem utilizam linguagem particular. Sua vida é normal… Eles estão espalhados nas cidades gregas ou bárbaras, vivendo segundo as condições de cada uma delas, e adaptando-se aos costumes do lugar no que diz respeito às vestimentas, à alimentação, à maneira de viver. Mas ao mesmo tempo eles seguem leis extraordinárias, que podem parecer paradoxais, de sua república espiritual.
Os cristãos residem cada um em sua pátria, mas permanecem nela como estrangeiros que ali moram. Participam de tudo, como cidadãos, mas suportam todos os encargos como estrangeiros. Toda terra estrangeira é para eles uma pátria e toda pátria é uma terra estrangeira.

Eles se casam como todo mundo, têm filhos, mas não abandonam os recém-nascidos. São feitos de carne, mas não vivem segundo a carne. Eles passam a vida na Terra, mas são cidadãos do céu. Obedecem às leis vigentes, mas por sua maneira de viver são vitoriosos sobre as leis. Eles amam todos os homens, mas todos os perseguem.

Eles são desrespeitados, são condenados e mortos e é nesse momento que ganham a vida. Eles são pobres, mas todos enriquecem à sua custa. Não têm nada, mas possuem tudo. Encontram sua glória no desprezo e sua justificação na calúnia. Eles bendizem os que os insultam, honram os que os ultrajam. Eles só fazem o bem, são punidos como celerados, mas se regozijam no castigo, pois isso os faz nascer para a vida.

Numa palavra, o que alma é no corpo, os cristãos são no mundo. A alma está na verdade distribuída como uma semente em todas as partes do corpo, como os cristãos que moram em todas as cidades do mundo. A alma mora no corpo mas não é de modo algum corpo. Assim são os cristãos, que vivem no mundo, mas não fazem parte dele”.

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