Victor Orville enriqueceu fazendo palavras cruzadas

Humberto Pinho da Silva
Victor Orville vivia em Oxford, em companhia da esposa. Frequentava a melhor sociedade, e divertia-se em elegantes eventos.
Certa ocasião, o casal, fora convidado a comparecer em importante festa. Victor, animou-se e bebeu mais do que devia.
Muitos, inclusive a mulher, recomendaram-no a não dirigir; eufórico, como estava, não escuta os sensatos conselhos, e indiferente a rogos, entra no automóvel, e arranca, escarnecendo das recomendações. Mal havia percorrido breves metros, sofre gravíssimo acidente, e a esposa, com profundos ferimentos, não consegue sobreviver.

Arguido de haver causado a morte da companheira, é condenado a cinco anos de reclusão.

Levado à cadeia, sentiu-se envergonhado e assaltado de tormentosos remorsos. Cai numa atroz angustia, e aparta-se de tudo e todos, inclusive de mais íntimos amigos.

Só, metido entre paredes, roído de remorsos, pede transferência para a África do Sul, cônscio, que longe de Oxford, a pena lhe seria mais suave.

Recolheu à cela 732. Decorrido dias, contesta que a tristeza, o desânimo, que tanto o afligia na sua Inglaterra, tinham embarcado com ele para o continente africano.

Lembrou-se, então, de solicitar papel, lápis e um dicionário; e como era disciplinado e muito respeitador, foi-lhe atendido o pedido.

Perante o espanto de todos, passava horas e horas, dias e dias, a inscrever palavras em quadradinhos que desenhava.

Pensaram que lhe havia areado o espírito, rondando a loucura, e recorreram ao auxilio de médico.

O clínico, após breve conversa, verifica que o preso estava em perfeito juízo, e acabara de descobrir interessante e cultural passatempo: as palavras cruzadas.

Até que, a três dias da véspera do Natal de 1913, Orville, recebeu a agradável alegria de ver, no “ New York Sunday”, as primeiras palavras cruzadas.

Decorrido meses, eram dezenas os jornais que lhe pediam para incluírem, nas suas páginas, o cultural passatempo.

Terminada a pena, ao despedir-se do director da penitenciária, recebeu a bonita quantia de dois milhões de libras! Uma pequena fortuna!

Orville enriquecera na prisão!

Resolveu fixar-se na África do Sul, e contrata indígena, como empregada. Ao falecer, doou a volumosa fortuna à dedicada nativa, que dele cuidou, carinhosamente, até à morte.

Grata, pela inesperada generosidade, e como prova de gratidão, colocou sobre o túmulo de Orville, uma lápide com o desenho de umas palavras cruzadas.

Humberto Pinho da Silvajornalista – Porto, Portugal
Visite: http://solpaz.blogs.sapo.pt/

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *