Jornal ABC da Espanha divulga paradeiro terminal de Hugo Chaves


Por Francisco Vianna
       O jornal europeu ABC diz que Chávez foi transferido em segredo do Hospital Militar onde estava na UTI tratando de uma “pneumonia” pós-operatória, para uma residência na ilha de La Orchila, para ficar em companhia de seus familiares até que seu estado terminal tenha o desfecho natural. A decisão foi tomada depois que os médicos venezuelanos constaram um tumor metastático no pulmão esquerdo que está a progredir rapidamente, após a última tomografia a que se submeteu o caudilho.

       A notícia foi dada pelo portal do diário espanhol ABC. Informa ainda o jornal espanhol que o tumor já compromete algo em torno de 35% do pulmão esquerdo, e que, diante de tal evidência, a permanência no Hospital Militar, onde de qualquer forma o presidente já era apenas tratado de modo paliativo, foi considerada desnecessária. Optou-se então por acomodá-lo junto com seus familiares num local seguro e tranquilo, fora de Caracas, onde juntos poderão permanecer durante todo o pouco tempo que resta de vida ao presidente e que, também, seja suficientemente perto para permitir que seja trazido de volta a UTI caso seja necessário.

       Em La Orchila, uma ilha situada a 160 km da capital venezuelana, Chávez havia feito instalar, em 2011, a instrumentalização para cuidados médicos especiais, transformando a enfermaria da residência presidencial num pequeno hospital. Durante meses esse trabalho teve sendo feito na ilha, onde uma equipe médica está permanentemente à disposição do Presidente. Segundo o jornal, Chávez pode ir para lá e sair de lá para ir a qualquer lugar sem dar satisfação a quem quer que seja, o que não era possível quando ia para Havana, pois havia a necessidade de ser autorizado pelo Congresso, ou Assembleia Nacional, informou o jornal.

        Chávez teria chegado de Havana em 18 de fevereiro com suas “condições vitais estáveis”, mas quase ninguém o viu desde então. A população é mantida largamente na ignorância dos fatos e seus detalhes sobre sua saúde, sempre relatada pelo governo com “falso otimismo”.

        No início, Chávez se mantinha consciente no Hospital Militar, mas seus problemas respiratórios foram se agravando, e ele precisou ser entubado e, mantido em coma induzido, e voltar a se submeter à ventilação pulmonar artificial para facilitar a respiração. Essa complicação “impediu qualquer possibilidade do presidente reeleito fazer o juramento e tomar posse”, mesmo em cerimônia privada.

        No último exame, cujo resultado foi avaliado pela junta médica do presidente no último dia 22, mostrou que o tumor já havia tomado o terço inferior do pulmão esquerdo, indicando tratar-se de uma metástase muito mais agressiva e de progressão muito mais rápida do que as demais que Chávez tem na pelve e na medula óssea. A nova tumoração é tida como sendo metástase do rabdomiossarcoma pélvico diagnosticado finalmente, embora isso não tenha sido “ainda confirmado”, o que realçaria o erro de diagnóstico inicial e a terapêutica inapropriada a que foi submetido o presidente venezuelano em Havana.

        As mesmas fontes advertem que Chávez está com seu sistema imunológico extremadamente deteriorado, de forma que, no momento, ele não é capaz de combater qualquer infecção, mesmo com o uso de antibióticos, e por isso as medidas de esterilização de tudo o que entra em contato com seu corpo são determinantes. Nos traslados do paciente tem sido necessário o uso de maca dentro duma bolha de plástico.
       A Internet, divulgando o que a mídia internacional, no caso a espanhola, é a única fonte de informação da população venezuelana para saber sobre a situação real de seu presidente. Como a parcela que tem acesso à mídia eletrônica no país não chega a 18%, a verdade é que a imensa maioria do povo venezuelano segue amplamente não informada e, pior, desinformada pelo regime sobre a situação de Hugo Chávez.

Francisco Vianna,
médico, comentador político e jornalista  – Jacarei, Brasil
(com base na mídia internacional)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *