Dom Jaime Luiz Coelho: uma vida. Uma história

Por Dom Anuar Battisti

    A história se faz com vidas humanas consumidas em fatos para o bem da coletividade. A história desta cidade, da Igreja Católica e de outras denominações religiosas presentes em Maringá, levará no seu bojo as marcas da vida e da presença do Dom Jaime Luiz Coelho. É impossível contar a história deste povo sem fazer referência ao trabalho, às iniciativas, às conquistas, realizações e resultados concretos da influência importante e decisiva do Primeiro Bispo e Arcebispo. Por isso não se trata só de uma recordação do passado e sim de um reconhecimento público, de quem sempre acreditou e fez. Mesmo, às vezes polemizando, criando opositores, soube ser empreendedor corajoso, e realizador de iniciativas que hoje são marcas características de toda região.

    Diante do fato da morte, surge em nós o desejo de nos tornarmos eternos nas coisas que deixamos e nas lembranças que marcaram a nossa convivência. Certamente os museus se encarregam de guardar coisas, objetos, ditos e fatos. Os museus não são eternos, as coisas têm um fim, os fatos desparecem da memória de quem fica. Tudo passa. Só Deus permanece. Como tudo passa, tudo é vaidade das vaidades, fica somente o que fizemos por amor e para amar. Quantos gestos de solidariedade, de afeto, de presença, de mãos estendidas, de promoção humana, de defesa dos últimos excluídos, de dignidade, ficarão gravados na mente e no coração de tanta gente. Isso sim é conquistar a eternidade.

    No sábado, dia 29 de junho, celebrando a Eucaristia em honra a São Pedro e São Paulo, no quarto 614 da Santa Casa, às 18 horas, na presença de familiares e amigos, Dom Jaime disse: “ ‘Combati e bom combate, acabei a minha carreira, guardei a fé’. Não me deixem morrer no hospital, eu quero morrer em casa, como meu pai e minha mãe morreram. Pedido quase impossível, porém a equipe médica dizia: ‘Não poderia ir, mas vamos fazer o seu desejo’. Em casa, na companhia dos familiares, se recuperou, superando todas as previsões. Mesmo se deslocando em ambulância três vezes por semana, para fazer a hemodiálise, festejou no último dia vinte seis de julho, seus noventa e sete anos.

    Transcrevo aqui um breve resumo do seu Testamento Espiritual, escrito no dia sete de dezembro de 1991 e aberto no dia sete de agosto deste ano, na presença dos familiares. “Invocando a Santíssima Trindade, coloco-me nas mãos de Deus, meu Bom Pai. Não sei o dia em que o Senhor me chamará para a eternidade. Agradeço o dom da fé, o dom do Santo Batismo, que me inseriu na sua Igreja. Agradeço o dom do Sacerdócio, graça da infinita misericórdia de Deus. Procurei viver o meu lema sacerdotal: ‘Sacerdote para sempre’ e o lema episcopal: ‘Jesus Cristo seja tudo em todos’. Agradeço a minha família, que sempre me cobriu de afeto, amor e carinho. Coloquem Deus em sua vida e nunca se afastem de suas leis. Nesta caminhada certamente não agradei a todos com quem convivi.

    Se alguém ofendi peço perdão. Todos podem acreditar: Só quis que Jesus Cristo, fosse tudo em todos. Ajoelho-me aos pés da Santíssima Trindade, e renovo a minha profissão de fé, adorando ao Deus Uno e Trino, Pai, Filho e Espírito Santo” Amém!”

    Obrigado Senhor, por nos ter dado em Dom Jaime Luiz Coelho, como pai, pastor e amigo! Ajudai-nos Senhor a continuar no caminho do Teu seguimento, observando a Tua Palavra, e amando a cada um com o Teu amor.

Dom Anuar Battisti
Arcebispo de Maringá (PR)

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