Missionários do Paraná concluem primeira etapa da missão em Quebo, na Guiné Bissau

    Brasília,CNBB – Os três missionários do regional Sul 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) enviados à diocese de Bafatá, em Guiné Bissau, para realização da Missão Católica na cidade de Quebo, concluíram a primeira etapa do trabalho missionário iniciado no dia 19 de outubro.

    Os diáconos permanentes Pedro Avelino Lang e Metódio Retexin e o missionário leigo Odaril José da Rosa atuaram na construção de uma residência para os missionários e participaram de atividades pastorais da paróquia Santa Cruz de Buba.

    “Os missionários deram um testemunho de amor à missão através do trabalho manual árduo e intenso e sob um forte calor e da partilha com as pessoas da comunidade local”,  disse o bispo de Bafatá, dom Carlos Pedro Zilli Filho, sobre o período de dois meses em que os missionários do Paraná estiveram em Quebo. Com a colaboração dos moradores da região, os três missionários retiraram alguns cajueiros que estavam no terreno doado por uma paróquia italiana para construção da residência dos agentes da Missão Católica em Quebo.

    Em carta enviada ao Brasil, os missionários relataram que a comunidade local aproveitava todos os galhos e os troncos das árvores derrubadas como lenha, “uma vez que a madeira do cajueiro não tem utilidade na construção porque ao ser cortada, em poucos dias apodrece, principalmente em função dos cupins”. Como na cultura local a responsabilidade de encontrar lenha é das mulheres e das crianças, houve bastante contato com essas pessoas durante os dias de trabalho.

    De acordo com os relatos dos missionários, as maiores dificuldades estavam relacionadas ao calor e à comunicação, pois, apesar de o idioma da Guiné Bissau ser o português de Portugal, no dia a dia a população se comunica por meio das línguas das etnias. O criolo, formado pela mistura do português com dialetos locais, foi ensinado aos enviados para ajudar na comunicação com a população local.

    As missas em Quebo têm forte participação de crianças e jovens e são celebradas em criolo, dialeto da Guiné Bissau. Para os missionários, há “um potencial muito rico para a evangelização”, observado a partir da presença desses grupos nas missas dominicais. Além disso, foi notada uma grande diversidade religiosa. “Os cristãos são a minoria por aqui, e ainda carregam fortes costumes da religião tradicional. Mesmo nos muçulmanos que são maioria nesta cidade, ainda existem laços fortes da religião tradicional, sobretudo, nos ritos e na forma de lidar com a morte”, explicam.

    No sentido pastoral, foi um momento de “conhecer a comunidade, a cultura, a língua, as tradições”. Pedro, Metódio e Odaril participaram de celebrações e reuniões a fim de integrarem-se com a comunidade paroquial. Estiveram presentes nas formações para animadores de comunidade e de implantação da pastoral do dízimo, além de visitarem  outras missões, em Bafatá, Buba, Bambadinca, Nhabidjon, Contuboel e Catió, para conhecerem o trabalho realizado por religiosas, padres e leigos.

    O grupo retornou ao Brasil no dia 15 de dezembro. Um novo grupo, com a presença do diácono Pedro Lang e de sua esposa, Salete Lang, será recebido no início de 2015 para a continuidade das atividades missionárias. Também haverá conhecimento na área de construção civil para a retomada das obras iniciadas no terreno em Quebo.

    Dom Pedro Zilli afirma que a Missão Católica em Quebo foi “um sonho realizado” e que o emociona. “De braços abertos, vou acolher os missionários que virão no início do próximo ano. Sei que o desenvolvimento da Missão Católica no que se refere às estruturas e atividades pastorais comportará não pouco esforço, tanto por parte de que virá como também de quem ficará na retaguarda, especialmente os meus irmãos bispos”, prometeu.

Ebola
    A região de Quebo fica a seis quilômetros da Guiné Conacri, onde há surto do vírus Ebola, que já matou milhares de pessoas na região. O diácono Pedro Lang disse ao secretário executivo do regional Sul 2 da CNBB, padre Mário Spaki, que não pensou em desistir da missão após o alastramento da doença. “Eu tinha vindo para cá em 2011. Foi marcada para início da missão outubro de 2014 e para cá viemos e viríamos mesmo com ebola. Se as pessoas moram aqui e não conseguem sair, por que para nós deveria ser diferente? O ebola não nos assusta”, afirmou.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *